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Aterro Sanitário

Definição


De acordo com a ABNT NBR 8419: “o aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos consiste na técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho ou a intervalos menores se for necessário.”

Tipos de Aterros

Existem aterros para resíduos urbanos e para resíduos industriais. Também existem três tipos de aterros industriais de acordo com o tipo de resíduo das classes I, II e III.

Principais normas  relacionadas a aterro sanitário

  • NBR   8.418 – Apresentação de projetos de aterros industriais de resíduos industriais                 perigosos;
  • NBR   8.419 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos;
  • NBR 10.157 - Aterros de resíduos perigosos - critérios para projeto, construção e operação;
  • NBR 13.896 – Aterros de resíduos não perigosos – critérios para projetos, implantação e operação – procedimento;

Critérios para implantação de aterros

 Adaptado de Jardim N. apud Philippi Jr., Roméro, Bruna, 2004 (tabela 5.1 - pág. 178)


Subprodutos de um aterro

Os principais subprodutos de um aterro sanitário:

  • Chorume - também denominado de sumeiro, é o líquido resultante do processo de decomposição do lixo e provém da umidade natural do lixo, da água de constituição dos vários materiais e do líquido gerado pela ação de microrganismos que atacam a matéria orgânica. A produção de chorume aumenta em períodos prolongados de chuva.
  • Águas percoladas - são conjuntos de águas infiltradas no interior do corpo físico do aterro, resultante de chuvas, lagoas vizinhas, do lençol freático ou de nascentes. Essa água contém parte do chorume e solubiliza elementos, podendo causar a contaminação do lençol freático e dos cursos d’água.
  • Gases - durante a decomposição de substâncias orgânicas provenientes do lixo são produzidos alguns gases como: metano, dióxido de carbono e nitrogênio. Esses gases podem ser captados e utilizados como forma alternativa de energia, como a produção de biogás.

Como funciona o Aterro

Estrutura de Drenagem - Percolados

Todo o sistema de drenagem deve ser preparado antes da montagem das células. São propostos dois sistemas de drenagem para a coleta de percolados:

  • Superficial - Conjunto de canais ou canaletes, envolvendo toda a área do aterro.
Finalidade:   minimizar o acesso de água de chuva ao interior do aterro, durante e após seu fechamento.

  • Subsuperficial - Constitui-se de drenos horizontais, preenchidos com britas, com inclinação de fundo de 2%. Para a retenção de materiais em suspensão, devem ser colocados sobre as britas materiais sintéticos, evitando entupimento do dreno.
Finalidade: evitar a contaminação do lençol freático e dos cursos d’água adjacentes, com a coleta dos líquidos percolados, direcionando-os para uma unidade de tratamento.

Controle dos Gases

O controle dos gases produzidos no interior na célula devido a decomposição anaeróbia dos resíduos orgânicos é realizado por meio de um sistema de drenagem, constituído por tubos de concreto ou PVC perfurados, revestidos por uma camisa de brita. Esses drenos deverão distar entre 50 e 100 metros uns dos outros. 


Esquema Geral

A sequência natural da operação de um aterro é: escavação, impermebialização de fundo, construção dos sistemas de drenagem, construção das células sanitárias e seu fechamento.

O espaço físico onde o resíduo é acondicionado é denominado de célula sanitária. Dependendo do tipo de solo, existem três métodos de acondicionamento nas células: trincheiras, rampas e áreas. 

Normalmente, a altura de uma célula é de 2 a 4 metros. Os resíduos são dispostos no solo, ocupando o lugar da célula e compactados por tratores de baixo para cima contra uma elevação natural. O fechamento é feito por uma camada de terra de 15 a 30 centímetros, no final do dia ou quando terminar a coleta. A cobertura da célula é realizada com um plano ligeiramente inclinado, com a finalidade de evitar o acúmulo de água de chuva.

Quando toda área destinada ao aterro estiver esgotada, ele é selado por uma cobertura de terra de 60 centímetros. Recomenda-se o revestimento com gramas para evitar erosão e melhorar o aspecto visual.

Monitoramento

O aterro deverá passar por inspeção periódica para monitorar o estado dos solos, principalmente após as chuvas e dos sistemas de drenagem. Também deverá ocorrer semanalmente, ou em períodos mais curtos, caso haja necessidade, uma limpeza geral do aterro.

Mesmo após fim do recebimento de resíduos no aterro, as atividades de recomposição do solo sobre as células e a monitoração das águas superficiais e subterrâneas, deverão continuar com a frequência semestral.

Vantagens
  • Baixo custo comparado com os outros tratamentos;
  • Utilização de equipamentos de baixo custo e de simples operação;
  • Utilização de terrenos de baixo valor; e
  • Evita proliferação de insetos e animais que transmitem doenças;

Desvantagens
  • Perda de matérias-primas e da energia contida nos resíduos;
  • Transporte de resíduos à longa distâncias;
  • Desvalorização da região ao redor do aterro;
  • Riscos de contaminação do lençol freático;
  • Produção de chorume e percolados; e
  • Necessidade de manutenção e vigilância após o fechamento do aterro.

Fonte:
*   PHILIPPI JR., ROMERO, M.A, BRUNA, G.C. Curso de Gestão Ambiental. Manole, 2004.
* Manual de operação de aterros sanitários. Elaborado pela CONDER - Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia.
* Orientações técnicas para apresentação de projetos de resíduos sólidos urbanos. Elaborado pela FUNASA - Fundação Nacional da Saúde.

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Fontes:
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